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13 de abr de 2012

Pânico grego

No auge da crise financeira que abalou a economia mundial, em virtude dos subprime e da concordata do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, governos do mundo todo começaram a nacionalizar parcial ou totalmente alguns bancos.

Compraram ações dessas instituições e ofereceram diversos tipos de apoio financeiro, como injeção de liquidez, compra de ativos tóxicos, incentivos para que os bancos “mais saudáveis” comprassem os “enfermos”, além de outros planos.

Parecia, no primeiro momento, um alívio para o mercado, afinal governo nenhum queria ver outros grandes bancos (contaminados por papéis podres) irem à falência, abalando a confiança do mercado financeiro e agravando a crise; logo, governos americano e europeu socorreram suas instituições.

Passado todo o pânico, alguns bancos se recuperaram, outros foram vendidos a instituições financeiras maiores, enquanto os governos iniciaram a venda de ações, as quais tinham sido compradas no auge da crise.
Para bancar toda essa ajuda e socorro bilionário aos bancos, e também os estímulos fiscais fornecidos aos setores mais afetados pela crise (como fez o Brasil com a redução do IPI e outros impostos), os governos tiveram que gastar.

O problema ocorre quando o Estado, já deficitário e endividado, é obrigado a gastar ainda mais em épocas de crise, e devido ao seu alto índice de endividamento, gera desconfiança no mercado e temor de calote. É o caso dos PIIGS (sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), países com elevados déficits em conta corrente e preocupantes níveis de endividamento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), em especial a Grécia, que acumula elevados déficits públicos nos últimos anos. A diferença do que a Grécia gastou e arrecadou em 2009 foi de 13,6% do PIB e a previsão para 2010 é de um déficit em conta corrente de 10,4% e uma queda de 0,3% do PIB, levando o país a ter uma dívida equivalente a 123% do PIB neste ano. Somente para efeito de comparação, o Banco Central (BC) prevê que a dívida do setor público no Brasil deve fechar 2010 em 40% do PIB.

O temor é que, mesmo com toda ajuda que a União Europeia e o FMI vão disponibilizar, a Grécia não consiga pagar suas dívidas, o que deixaria o país sem margem de manobra para fugir dessa crise, pelo fato de pertencer à zona do euro. Se a Grécia tivesse soberania sobre a moeda, poderia simplesmente equilibrar as contas desvalorizando-a, estimulando as exportações e emitindo moeda para pagar débitos. A população seria prejudicada, pois haveria queda do poder de compra decorrente da inflação. Entretanto, como o euro é uma moeda regional, a Grécia não tem autonomia para fazer isso.

Segundo afirmam alguns analistas e o próprio BC, a crise da Grécia não deve afetar o fluxo de investimentos ao Brasil nem o crescimento da economia este ano. No curto prazo poderão ser percebidas algumas quedas na bolsa e uma elevação do dólar devido à aversão ao risco por parte dos investidores estrangeiros. A tendência é que eles voltem quando o “nervosismo” passar. Vale lembrar que o Brasil tem reservas financeiras internacionais em torno de US$ 250 bilhões.

O fato de os PIIGS pertencerem a União Monetária Europeia traz reflexos negativos ao euro, o que tem provocado uma acentuada desvalorização frente ao dólar nos últimos meses. Investidores temem um possível abandono da Grécia e de outros países ao euro, o que mostraria um sinal de fraqueza da União Monetária e, para os mais pessimistas, até mesmo sua derrota.
É um exagero pensar num fracasso do euro, mas não se pode descartar a hipótese de que algum país seja convidado a abandonar o bloco, a fim de manter a estabilidade e a credibilidade monetária da região.

Texto de João Carlos Simionato e colaboração de Ronan Pierote 07/05/2010

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